Imagem capa - Você vai querer usar jeans no seu ensaio! por Vitor Hugo Nercolini Rebellato

Você vai querer usar jeans no seu ensaio!

Quantas peças jeans você tem no seu guarda-roupa? Eu posso apostar que muitas! Calças, camisas, jaquetas, shorts, jardineiras… As possibilidades são infinitas.

Você sabia que essas peças carregam uma história de mais de duzentos anos? Sim! Atemporais e eternas, elas também são responsáveis por looks lindos que são ideais para o estilo que perseguimos em nossos ensaios. É por isso que, em quase todos nossos shootings, as clientes usam ao menos uma peça jeans.

Nesse post, vamos conhecer mais sobre o jeans e, é claro, alimentar nossas inspirações para cliques lindos!

Advertência: o post está grande porque resolvemos contar como a peça começou a ser fabricada e como se popularizou. A história é sensacional e repleta de curiosidades! Mas se você veio aqui para buscar as inspirações fotográficas, pode seguir direto para o item 3.

 

1. A história por trás da peça

Na época do Renascimento, os marinheiros de Gênova, na Itália, precisavam de roupas bastante resistentes que suportassem suas longas jornadas no mar. Passaram a utilizar, então, um tipo de brim robusto feito de algodão, que era originário da cidade francesa Nimes. Esse tecido, inclusive, chama-se denim em referência à própria cidade: De Nîmes. Já o nome jeans deriva de Gênova, com as devidas adaptações e erros de pronúncia.

Um adendo é que o denim surgiu no ano de 1792, em meio à Revolução Francesa. Sua textura era similar aos tecidos usados pela nobreza, apesar de ser muito mais barato e acessível aos menos favorecidos. Sua cor também era crua, marrom, bem diferente daquela que posteriormente se popularizou na forma de jeans.

A grande revolução que culminou no jeans ocorre somente com Levi Strauss - um judeu alemão que migrou para os Estados Unidos ainda criança. Aos 24 anos, ele se muda para São Francisco, na Califórnia, para trabalhar como comerciante. O ano era 1853 e fervilhava a “Corrida do ouro”: terreno fértil para o comércio, considerando que a população aumentava, mas faltavam ítens de necessidade básica.

A intenção de Strauss era comercializar lonas de um tecido rústico para que os mineradores locais cobrissem carroças e fizessem tendas ou toldos. A ideia deu errado: os trabalhadores não precisavam de lonas, mas de roupas resistentes para o trabalho. Strauss, então, pega aqueles tecidos e leva até um alfaiate para fabricar calças. A peça se tornou um sucesso imediato.




Essas primeiras calças eram duráveis, mas nada confortáveis e bonitas. Strauss logo substituiu o tecido de lona pelo denim francês. A aceitação comercial foi ainda maior. Diante do sucesso, Levi fundou com os cunhados e irmãos a Levi Strauss & Co, hoje a tão famosa Levi’s.

Aos poucos, a marca foi aprimorando seu design. Em 1872, a Levi’s fez parceria com Jacob Davis para solucionar a maior reclamação dos trabalhadores: os bolsos eram pouco resistentes e não aguentavam o peso do material que carregavam. Strauss e Davis passaram a usar rebites de metal tal qual já eram utilizados nas correias de cavalo.

Outra revolução do jeans foi o uso de zíper. Isso permitia que aos trabalhadores urinassem sem descer toda a calça, agilizando o processo.

A calça jeans ganhou também botões metálicos, etiqueta de couro, o cós, a cor azul e os dois arcos bordados nos bolsos de trás - que representavam as montanhas rochosas norte-americanas. Tal modelo, o 501, fabricado na época, perdura até a atualidade.

Para quem quer saber mais sobre a história do jeans 501, existe esse documentário sensacional (em inglês):



 

2. Quando o jeans toma as ruas

Em sua origem, o jeans era uma roupa exclusiva para trabalho. Por décadas, essa foi a única utilização da peça - especialmente para trabalhadores dos campos, muito comuns nos Estados Unidos. Com a crise do boi em 1929, os fazendeiros abriram suas propriedades para a visitação turística. Os ricos americanos do leste eram os principais “aventureiros”. Em decorrência disso, o jeans 501 passou a ser vendido em grandes boutiques de Nova Iorque.

Em 1935, a Levi’s faz um anúncio na “Bíblia da Moda”, a Vogue Americana. O anúncio mostrava duas moças ricas visitando uma fazenda com o seguinte slogan: “O chique do Oeste foi inventado pelos cowboys, e se você esquecer este princípio estará perdida”. Assim, a peça passa a ser artigo de moda, não mais uniforme de trabalho. Também era o look dos filmes de cowboy produzidos em Hollywood, que faziam muito sucesso na Europa. É nessa época que a etiqueta vermelha da Levi’s passa a ser fixada na parte externa, a fim de diferenciá-la da concorrência.

Para alguns, todavia, a calça jeans era tida com desconfiança e ainda tinha status de roupa de pobres. Durante a década de 1950, igrejas, bailes e teatros proibiam seus visitantes de usá-las sob pena de banimento. Foi, contudo, nessa década, que o jeans ganha a juventude e passa a ser associado à rebeldia – sempre combinada com uma camiseta branca. Muitas escolas americanas chegaram a proibir a peça nas salas. O responsável por isso tudo foi James Dean, que no filme Juventude Transviada vestia jeans e representava a realidade de muitos jovens da periferia. Sua morte, em 1955, transformou-o em figura romântica, sempre vestido seu jeans.




Nas décadas de 1950 e 1960, o jeans foi descoberto pelos hippies, que o usavam como forma de expressão, customizando-o. Eles foram responsáveis pela criação da modelagem boca de sino. É nessa época também que o jeans deixa de ser peça exclusiva do guarda-roupa masculino, além de ganhar modelagens como shorts, jardineiras, jaquetas, vestidos. Sua popularização definitiva acontece na década de 1970, quando estilistas começaram a utilizá-lo na passarela, mesmo sob forte rejeição. Nas décadas seguintes, ganha releituras com tecidos mais leves, sem bolsos, com elástico, rasgados, sem botões, além de aparecer sob novas colorações.

Ao longo de suas décadas de história, a peça ganhou o amor de muitos artistas de renome: Marilyn Monroe, Cher, Jane Birkin, Steve Jobs, Kate Moss... Eles são responsáveis pela eternização do jeans. Mas isso é assunto para outro post!

 

3. O jeans em nossos ensaios

Atemporal, o jeans nunca sai de moda. Ele sobrevive à gerações, sendo unanimidade entre homens e mulheres. É um item básico de qualquer guarda-roupa, considerando que combina com tudo: basta uma camisa branca e um sapato para sair elegante; ou uma t-shirt e um tênis para fazer a descolada.






Na atualidade, a quantidade de variações que a peça recebeu é quase infinita. Em nossos ensaios – tanto em estúdio, quanto externos – são raras as vezes em que não é usada ao menos uma peça jeans – ou que imite jeans. Nas fotos a seguir, você encontrará como inspiração modelagens destroyed, clássicas, coloridas, flare, skinny, além de jardineiras, camisas, jaquetas... Acho que não precisa falar que a gente ama jeans, não é?








4. Curiosidades sobre o jeans

Você sabia que…

… o zíper do jeans masculino encontra-se do lado oposto do que o feminino? Isso tem origem para diferenciar as peças em um tempo em que eram as damas de companhia vestiam os senhores das casas.

… jeans é a peça pronta; o tecido se chama denim?

… o corante índigo - que existe há mais de seis mil anos - era usado para tingir os jeans originalmente? A cor foi escolhida porque era a que melhor escondia a sujeira nas peças, que eram usadas por trabalhadores. Só em 1880 foi sintetizado o anil, que passou a substituir o índigo. Por sinal, índigo puro é a tonalidade mais valorizada no mercado do jeans.

… o bolsinho menor da calça jeans foi criado para guardar relógios de bolso?

… a primeira marca a fazer um desfile com todas as peças em jeans foi a Calvin Klein, hoje referência no setor?

… Levi Strauss nunca usou jeans? A peça que ele criou era destinada aos trabalhadores; ele era um rico empresário.

… que o jeans representa 68% de todo vestuário fabricado Brasil? São vendidas cerca de 100 milhões de peças por ano no país - o que o coloca em segundo lugar como maior mercado de jeans do mundo, perdendo apenas para os EUA. Só no Brasil você consegue comprar denim índigo por metro para confeccionar peças. Além disso, em nenhum outro lugar do mundo há tantos nomes famosos assinando jeans.

 



OBS: nas fontes pesquisadas, as informações são muito desencontradas no que se refere a Levi Strauss: as datas de migração e criação da marca não coincidem. Mas a história, em essência, é a mesma.

 

Referências

https://modajeans.wordpress.com/category/curiosidades/

https://webinsider.com.br/a-historia-do-jeans/

https://super.abril.com.br/comportamento/mundo-de-jeans/

http://www.thetoccs.com.br/blog/2012/01/e-o-jeans-como-surgiu/

https://revistaglamour.globo.com/Moda/noticia/2017/07/historia-do-jeans-de-1837-2017-evolucao-do-denim.html

https://www.plataoplomo.com.br/blog/afinal-como-surgiu-o-jeans/

https://www.indexdenim.com.br/curiosidades-sobre-o-jeans-de-todo-dia/

https://conscienciajeans.com.br/19-curiosidades-sobre-o-jeans

https://www.liveoficial.com.br/blog/7-fatos-curiosos-sobre-jeans/

https://www.vogue.co.uk/gallery/celebrity-denim-inspiration

https://revistaglamour.globo.com/Moda/Fashion-news/noticia/2016/06/jeans-oito-curiosidades-sobre-peca-mais-usada-no-guarda-roupa.html

https://vogue.globo.com/moda/noticia/2018/05/feliz-aniversario-o-jeans-mais-antigo-e-famoso-do-mundo-faz-145-anos.html